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Coros Pace 4: o novo rival ultraleve da Garmin com ecrã AMOLED e microfone

Homem a correr numa pista desportiva com relógio inteligente, ténis, garrafa e telemóvel no banco.

O grande rival da Garmin no mercado dos relógios de desporto acaba de revelar um novo modelo ultraleve pensado para atletas - corrida, ciclismo e natação. Faz bem melhor do que o Pace 3, põe em causa a própria razão de existir do Pace Pro e estreia um ecrã AMOLED, um microfone e um visual mais sóbrio.

A Coros mostrou-o discretamente no pulso de Eliud Kipchoge. Em Nova Iorque, no momento em que o maratonista recolheu o último dorsal que lhe faltava para completar o circuito dos seis maratonas mais prestigiadas do mundo, o novo Pace 4 ganhou vida com um ecrã AMOLED. A mais recente novidade da Coros em 2025 pertence à linha Pace - e não a uma variante qualquer: trata-se do modelo que sustenta o sucesso da marca e que lhe tem permitido ganhar quota à Garmin no segmento dos relógios de desporto acessíveis e ultraleves, onde o líder norte-americano não conseguiu proteger o terreno.

Relógio de desporto: a Coros substitui o Pace 3 pelo Pace 4

O Coros Pace 4 chega para ocupar o lugar do Pace 3, lançado em agosto de 2023. O preço quase não mexe: 269 euros em vez de 249 euros. Em contrapartida, as mudanças são muitas, mantendo-se a mesma ambição: medições fiáveis num corpo ultraleve e com excelente autonomia. Ao olhar para a ficha técnica deste Pace 4, os números do Pace 3 chegam a parecer modestos.

Com a integração de um ecrã AMOLED, a gama também se moderniza e deixa de ter motivos para invejar o Pace Pro. Aliás, este último poderá mesmo desaparecer, por não reunir argumentos suficientes para continuar no mercado.

E não é só o ecrã - nem a autonomia - que contam. A marca quer cumprir o objectivo de adicionar um microfone em todos os seus novos relógios GPS de desporto. Voltaremos a esta integração mais à frente, porque aponta para uma funcionalidade que deverá interessar a quem segue planos de treino no relógio e gosta de registar notas após cada sessão. Ainda assim, importa deixar claro desde já que o Pace 4 não terá cartografia, nem versão celular (para chamadas), nem lanterna (cada vez mais comum em vários Garmin).

Também não se espera que o Pace 4 receba extras orientados para o dia a dia. Fica um pequeno lamento: a Coros não parece pronta para avançar com um serviço de pagamentos sem contacto, como a Garmin oferece com o Garmin Pay e um chip NFC nos seus relógios. É pena, porque esta funcionalidade facilita sair sem telemóvel ou carteira e, mesmo assim, conseguir pagar durante um treino.

Design e ecrã do Coros Pace 4

Em tamanho, o Coros Pace 4 mantém-se próximo do Pace 3: caixa de 43,4 x 43,4 mm, com 11,8 mm de espessura (face aos 11,7 mm do Pace 3), e 32 g com bracelete de nylon, ou 40 g com bracelete de silicone. O ecrã tem 1,2 polegadas.

As alterações visuais lembram o que a Coros já tinha feito no Pace Pro: o ecrã passa a estar mais bem integrado na luneta, com uma transição mais fluida. A construção continua a ser em plástico, com um efeito de dois tons entre a luneta e a lateral do relógio, onde também se encontram os botões. E, por falar em botões, surge um novo comando na lateral esquerda da caixa - voltaremos a este ponto na parte dedicada ao software do Pace 4.

A grande mudança está no painel: no Pace 4, o ecrã passa a AMOLED, abandonando o transflectivo que a Coros usava para baixar custos e consumo de energia. Estreado no Coros Pace Pro, o AMOLED traz uma gama de cores mais rica, maior contraste (com pretos verdadeiramente pretos, já que os píxeis podem ficar desligados) e melhor legibilidade.

De acordo com a Coros, a resolução do ecrã do Pace 4 é 164% superior à do Pace 3. Em concreto, são 390 x 390 píxeis, com brilho máximo de 1500 nits (igual ao Pace Pro). No vidro de protecção, a Coros mantém-se conservadora na linha Pace: vidro mineral, tal como no Pace 3, privilegiando preço e leveza.

Bateria e autonomia do Coros Pace 4

A Coros tinha surpreendido com o lançamento do Pace Pro: ao contrário do que muitos assumiam, a chegada do AMOLED não fez disparar o consumo. Ou, dito de outra forma, a marca conseguiu gerir bem o novo ecrã, aumentando a eficiência do relógio de desporto. O resultado foi muito bom… até aparecer o Pace 4.

É que este aguenta ainda mais do que o Pace Pro: 41 horas de utilização em GPS (com todos os sistemas/instrumentos activos), contra 31 horas no Pace Pro e 25 horas no Pace 3. Já no modo GPS de dupla frequência, a autonomia anunciada é de 31 horas, face às 15 horas do Pace 3. Em uso diário (sem actividades GPS), o Pace 4 chega aos 19 dias, enquanto o Pace 3 se ficava pelos 15 dias.

A autonomia do Pace 4 diminui ao activar o modo Always-on, que mantém o ecrã permanentemente ligado. O utilizador pode escolher entre ligar o Always-on apenas durante a actividade ou de forma geral, mesmo fora do treino. O impacto é de 10 horas, descendo para 31 horas em GPS (com todos os sistemas). Em dupla frequência com Always-on, o Pace 4 fica com 24 horas - igualando a autonomia do Pace Pro. Com o Pace 3, a comparação não é directa, porque não tem AMOLED nem modo Always-on: o ecrã permanece sempre ligado, embora a luminosidade só suba quando se roda o pulso para ver o relógio ou se prime um botão.

Para promover o Pace 4, a Coros destaca estas diferenças: mais 16 horas face ao Pace 3 em GPS com todos os sistemas e mais 4 dias no uso quotidiano. Em relação ao Pace Pro, são mais 3 horas em GPS com todos os sistemas. A Coros explicou ao Presse-citron que a vantagem do Pace 4 sobre o Pace Pro resulta de uma combinação entre a capacidade da bateria e o ecrã mais pequeno (1,2 polegadas em vez de 1,3).

O botão de acção e o microfone do Coros Pace 4

As restantes novidades do Coros Pace 4 passam pela adição de um novo botão de acção na caixa e pela integração de um microfone. Começando pelo botão: na prática, serve para acrescentar um comando e tornar a navegação no relógio mais rápida.

Até aqui, a interface da Coros permitia percorrer menus e dados num movimento horizontal. Com este terceiro botão, passa a ser possível deslizar da esquerda para a direita: para alternar entre menus, ou para aceder ao controlo multimédia, à navegação e às definições gerais do relógio.

Quanto ao microfone, foi um ponto em que a Coros quis demorar-se numa conversa com o Presse-citron. A marca não o vê como um componente para chamadas, mas sim como uma forma de facilitar a tomada de notas após o treino. A Coros acredita que os comentários sobre a sensação/estado físico numa sessão são essenciais para recordar o que se sentiu e em que fase do plano de treino se estava - mas a maioria das pessoas não tem vontade de escrever algumas linhas no fim do exercício.

Por isso, o microfone deverá servir para gravar a nossa voz e transcrever as impressões, adicionando-as como texto (e também como ficheiro áudio) para consulta posterior na aplicação, no histórico das sessões.

Preço e data de lançamento do Coros Pace 4

Dois anos depois do Pace 3, o novo Pace 4 chega às lojas por 269 euros, mais 20 euros. Em termos de disponibilidade, é colocado à venda em França a partir de 10 de novembro, e deverá chegar às lojas no início de dezembro (na Decathlon, por exemplo).

Convém notar que, no lançamento, só existem as versões preta e branca e apenas com bracelete de silicone - o que desilude, porque é menos confortável e mais pesada do que a de nylon. A Coros justifica esta decisão com dificuldades em receber as braceletes de nylon a tempo do arranque comercial do Pace 4. Ainda assim, a recomendação mantém-se: a de nylon vale pela leveza, conforto e pelo ajuste rápido e preciso ao pulso.

Outra informação relevante: a Coros vai baixar, a partir de 14 de novembro, o preço do Pace 3 e do Pace Pro. O Pace 3 passa a custar 229 euros (menos 20 euros) e o Pace Pro desce 50 euros, para 349 euros. As equipas da marca indicaram ao Presse-citron que ambos os modelos anteriores serão vendidos até esgotarem, o que deixa no ar que o Pace Pro também deverá ser descontinuado.

Percebe-se o motivo: apesar de o Pace Pro oferecer cartografia e um sensor cardíaco eléctrico ausentes no Pace 4, já não se diferencia o suficiente. Sendo mais pesado e mais caro, entra agora em concorrência directa com a gama focada em trail, que oferece maior autonomia e uma caixa mais robusta.

Resta perceber o que a Coros reservará para 2026, depois deste novo Pace 4.

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