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Exercício e osteoartrite: o que diz a nova revisão

Mulher sénior a fazer exercício em casa usando uma cadeira para apoio e um joelho ortopédico.

A osteoartrite é uma doença articular degenerativa frequente que provoca dor, rigidez e inchaço, além de diminuir a amplitude de movimentos. Afeta muitas vezes os joelhos, as ancas e as mãos, embora possa surgir noutras articulações do corpo.

Quando há diagnóstico de osteoartrite, é provável que o médico recomende a prática de exercício. Nos últimos anos, este conselho passou a fazer parte das orientações habituais de tratamento.

Ainda assim, uma nova revisão sugere que o exercício pode não ser tão vantajoso como se pensava inicialmente.

No entanto, ao analisar o estudo com mais atenção, há vários motivos para prudência - pelo que não é razão para abandonar o seu plano de exercício.

O que a revisão fez

A equipa de investigação realizou uma "revisão guarda-chuva" - isto é, uma síntese de revisões sistemáticas, que reúnem e analisam resultados de estudos individuais para responder a uma pergunta específica. Ao rever revisões sistemáticas já publicadas, obtém-se uma visão ainda mais abrangente sobre um tema.

Depois de pesquisarem milhares de estudos, os autores incluíram cinco grandes revisões sistemáticas (compostas por 100 estudos individuais, com 8.631 doentes) e acrescentaram ainda mais 28 ensaios recentes (envolvendo outros 4.360 doentes).

Com base nesses dados, avaliaram o impacto do exercício na osteoartrite do joelho, da anca e da mão e compararam-no com várias alternativas: não fazer nada, placebo (tratamentos simulados), educação, terapia manual, analgésicos, injeções e cirurgia.

O que é que encontraram?

Em comparação com não fazer nada e com placebos, verificou-se que o exercício conduziu a pequenas reduções da dor na anca, no joelho e na mão: entre 6 e 12 pontos numa escala de 100.

No entanto, o exercício não pareceu melhorar a função mais do que qualquer uma dessas comparações.

Na osteoartrite do joelho e da anca, houve evidência de que o exercício era tão eficaz a reduzir a dor e a melhorar a função como medicamentos como o ibuprofeno e os corticosteroides, que são injetados na articulação para diminuir a inflamação. Estas opções também reduziram a dor em cerca de 5–10%.

Os investigadores concluíram que, nas pessoas com osteoartrite do joelho e da anca, o exercício foi menos eficaz a melhorar dor e função do que uma artroplastia total (substituição total da articulação).

Quais foram as limitações?

Em primeiro lugar, os autores colocaram todos os tipos de exercício no mesmo grupo. Isso significa que treino de força, exercício aeróbio, alongamentos, exercício aquático e tai chi foram tratados como se fossem equivalentes.

Isto é particularmente importante porque sabemos que nem todo o exercício tem o mesmo efeito. Revisões anteriores mostraram, por exemplo, que o exercício aeróbio pode ser a melhor opção para reduzir dor e melhorar a função em pessoas com osteoartrite do joelho, enquanto os alongamentos foram a estratégia menos eficaz.

Da mesma forma, os autores não tiveram em conta o estado clínico dos doentes. Há evidência de que pessoas que começam uma intervenção com dor mais intensa e pior função tendem a responder melhor ao exercício do que aquelas com menos dor e boa função.

Em segundo lugar, a revisão considerou como iguais o exercício supervisionado e o não supervisionado.

Contudo, a investigação indica que o treino supervisionado produz resultados muito melhores do que o treino sem supervisão - provavelmente porque um profissional está presente para orientar e incentivar o doente.

Em terceiro lugar, não foi considerada a duração dos programas de exercício, e a maioria dos períodos de estudo foi bastante curta: cerca de 12 semanas.

É plausível que manter um regime de exercício a longo prazo produza efeitos superiores, criando maior margem para melhorias do que fazer algo apenas durante algumas semanas.

Por isso, os resultados desta revisão podem não refletir com precisão os benefícios do exercício em pessoas com osteoartrite que se comprometem com uma prática consistente e contínua como parte da sua rotina semanal (algo frequentemente recomendado).

Por fim, a revisão não teve em conta a dose de exercício utilizada nos estudos. As melhorias na dor e na função parecem aumentar com o total semanal de exercício em pessoas com osteoartrite. Uma revisão, por exemplo, concluiu que os benefícios ideais ocorriam com cerca de 150 minutos por semana de exercício de intensidade moderada.

Estas limitações sugerem que esta nova revisão provavelmente subvaloriza os benefícios do exercício para a osteoartrite.

Menos dor e melhor saúde física e mental

Mesmo deixando de lado as limitações da revisão, as pequenas reduções de dor relatadas podem, ainda assim, ter um impacto positivo na vida de alguém. Uma diminuição de 10% na dor pode representar uma diferença relevante na capacidade de se movimentar, trabalhar, socializar e cuidar de outras pessoas.

A revisão também concluiu que o exercício consegue reduzir a dor na mesma medida que os anti-inflamatórios não esteroides e os corticosteroides - mas sem os efeitos secundários nem os custos.

Além disso, o exercício pode melhorar a saúde cardiovascular, elevar o humor, ajudar a gerir o peso e reduzir o risco de doenças crónicas, como cancro e diabetes.

Estes aspetos podem influenciar de forma marcante a sua saúde e o seu bem-estar.

O que deve fazer agora?

Tendo em conta os resultados desta nova revisão, pode sentir-se confiante de que qualquer tipo de exercício trará algum alívio da dor.

No entanto, com base em evidência anterior, é provável que consiga benefícios globais para a saúde ainda maiores se mantiver a prática de forma consistente.

O melhor tipo de exercício é aquele que se faz. Se gosta de estar ao ar livre e de caminhar, essa é uma excelente opção: melhora vários aspetos da saúde e ajuda a reduzir a dor.

E, se a dor permitir, não tenha receio de, ocasionalmente, se desafiar - aumentando a intensidade até ao ponto em que manter uma conversa começa a tornar-se difícil.

Se a sua preferência é o ginásio, levantar pesos também traz benefícios significativos para a saúde em geral - sobretudo se mantiver a prática a longo prazo.

Hunter Bennett, docente em Ciência do Exercício, Universidade de Adelaide, e Lewis Ingram, docente em Fisioterapia, Universidade de Adelaide

Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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