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Estudo SPAF: a capacidade física começa a diminuir aos 35 anos, mas o exercício abranda a perda

Casal a correr num parque ensolarado, com outras pessoas a correr ao fundo e ténis numa bancada.

As capacidades físicas tendem a enfraquecer com o avanço da idade, embora muitos de nós acreditemos que isso só se torne um problema quando já estivermos bem dentro dos nossos anos dourados.

Um novo estudo, porém, aponta para um início mais cedo: a aptidão física e a força começam a diminuir já a partir dos 35 anos, independentemente dos hábitos de exercício. Depois desse ponto, segue-se uma descida progressiva que, com o envelhecimento, se torna mais rápida.

Mesmo que este percurso pareça inevitável, não significa que seja algo totalmente fora do nosso controlo. Ainda que a actividade física não pareça adiar o momento em que atingimos o pico, pode influenciar a velocidade a que as capacidades se degradam, sugerem os autores.

Envelhecimento e perda de músculo esquelético

O envelhecimento está associado a uma redução gradual do músculo esquelético, um processo que, em algumas pessoas, se torna visível na casa dos 60 anos e pode até limitar a mobilidade.

Trabalhos anteriores com atletas de elite mostraram que, mesmo com treino contínuo, o desempenho físico costuma atingir o máximo por volta dos 30 anos. Isto levanta a hipótese de que os mecanismos por detrás da perda muscular relacionada com a idade já estejam a actuar muitas décadas antes de terem impacto clínico.

Estudar atletas traz vantagens - por exemplo, a existência de muitos dados e a menor interferência de estilos de vida sedentários -, mas tem também uma “desvantagem óbvia”: atletas de elite podem não representar a população em geral, como os autores assinalam.

O que foi analisado na coorte sueca SPAF

Para este novo artigo, os investigadores optaram por um estudo longitudinal, baseado na população, com o objectivo de quantificar a capacidade física desde a adolescência até à idade avançada na população em geral.

A investigação nesta área tem recorrido com frequência a estudos transversais, que observam uma população num único momento. Já os estudos longitudinais permitem, por isso, uma visão mais sólida de como determinadas variáveis se transformam ao longo do tempo.

A equipa utilizou dados da coorte sueca Swedish Physical Activity and Fitness (SPAF), um estudo longitudinal que acompanha várias centenas de participantes na Suécia desde 1974, quando tinham 16 anos.

A SPAF reúne medições de força e de aptidão física dos mesmos participantes em cinco momentos distribuídos pelas últimas cinco décadas (aos 16, 27, 34, 52 e 63 anos), o que cria uma oportunidade rara para observar mudanças nas capacidades físicas ao longo de meio século.

Quando a capacidade física atinge o pico e como evolui

Segundo os investigadores, os estudos transversais parecem ter subestimado o declínio da capacidade física associado à idade. Ainda assim, os resultados obtidos reforçam evidência anterior de que este processo afecta homens e mulheres de forma semelhante.

Em ambos os sexos, a resistência muscular e a capacidade aeróbia máxima estimada atingiram o pico entre os 26 e os 36 anos, seguindo-se uma descida gradual: primeiro entre 0.3 percent e 0.6 percent por ano e, mais tarde, até 2.5 percent por ano, sem diferenças entre sexos na velocidade de declínio.

Já a potência muscular apresentou um padrão distinto no momento do pico: os homens chegaram ao máximo aos 27 anos, enquanto as mulheres o fizeram aos 19. A partir daí, a perda de potência avançou a ritmos semelhantes entre ambos: numa fase inicial, uma redução de 0.2 percent a 0.5 percent por ano, passando depois para um agravamento que alcançou uma diminuição anual de 2 percent ou mais. Aos 63 anos, a quebra total face ao pico de capacidade física variou entre 30 percent e 48 percent.

Exercício: não adia o pico, mas pode abrandar a queda

Há, no entanto, um lado positivo. Mesmo que não seja possível evitar nem adiar o declínio físico, a prática regular de exercício pode desacelerar a perda, relatam os autores.

“Individuals who were physically active in their leisure time at age 16 maintained higher aerobic capacity, muscular endurance, and muscle power throughout the observation period,” escrevem.

Este resultado reforça a relevância de promover actividade física junto de adolescentes e jovens adultos - mas é uma mensagem útil em qualquer idade. De acordo com o estudo, participantes que se tornaram mais activos já na idade adulta ainda assim conseguiram aumentar a sua capacidade física em cerca de 10 percent.

“Nunca é tarde demais para começar a mexer-se. O nosso estudo mostra que a actividade física pode abrandar o declínio do desempenho, mesmo que não o consiga travar por completo”, afirma a autora principal, Maria Westerståhl, docente no Departamento de Medicina Laboratorial do Instituto Karolinska.

“Agora vamos procurar os mecanismos por detrás do motivo pelo qual todos atingem o seu desempenho máximo aos 35 anos, e por que razão a actividade física consegue abrandar a perda de desempenho mas não a consegue interromper totalmente”, diz Westerståhl.

O estudo foi publicado na Revista de Caquexia, Sarcopenia e Músculo.

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