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Relatório do NTSB: mais de metade dos pilotos mortos em acidentes aéreos nos Estados Unidos (2018–2022) acusou drogas

Piloto sentado numa sala de controlo num aeroporto, olhando para um frasco de comprimidos.

O que diz o relatório do NTSB sobre drogas e medicamentos (2018–2022)

Mais de metade dos pilotos que morreram em acidentes aéreos nos Estados Unidos entre 2018 e 2022 acusaram positivo para algum tipo de droga ou medicamento, de acordo com um novo relatório de investigação em segurança divulgado pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB).

O documento, intitulado “2018–2022 Update to Drug Use Trends in Aviation”, vem actualizar análises anteriores do NTSB sobre a presença de drogas em pilotos mortos em acidentes da aviação civil norte-americana, realizadas para os períodos de 1990 a 2012 e de 2013 a 2017.

Resultados toxicológicos: percentagens e tendência de aumento

Segundo o estudo, 52,8% dos pilotos com ferimentos fatais apresentaram resultados positivos para, pelo menos, uma substância nos exames toxicológicos efectuados após os acidentes.

O relatório indica ainda que 27,7% tinham duas ou mais substâncias detectadas no organismo, dando continuidade a uma tendência de subida já verificada em levantamentos anteriores.

Substâncias mais detectadas e potenciais efeitos incapacitantes

Entre as categorias que surgem com maior frequência estão:

  • medicamentos cardiovasculares;
  • anti-histamínicos sedativos;
  • medicamentos de venda sem receita não sedativos;
  • medicamentos para redução do colesterol;
  • tratamentos para a próstata ou para disfunção eréctil;
  • drogas ilícitas.

A presença de substâncias consideradas potencialmente incapacitantes subiu ligeiramente para 28,6%. Dentro desta categoria, o fármaco identificado mais vezes continua a ser a difenidramina, um anti-histamínico sedativo amplamente utilizado em medicamentos para alergias e constipações.

O relatório assinala também um aumento na detecção de drogas ilícitas, que atingiu 7,4%, sobretudo devido à maior presença de delta-9-tetrahidrocanabinol (delta-9-THC), o principal composto psicoactivo da canábis.

Diferenças por idade, certificação e tipo de operação

Os investigadores encontraram igualmente diferenças relevantes em função da idade, do tipo de certificação e da operação realizada pelos pilotos. A presença de drogas foi inferior entre pilotos que voavam ao abrigo de operações do Part 135 - segmento que inclui táxi-aéreo e voos charter - quando comparados com pilotos da aviação geral.

Também se verificaram taxas mais baixas entre pilotos com certificado médico em vigor e entre aqueles com licenças de piloto comercial ou de transporte de linha aérea, face a pilotos privados, desportivos, alunos ou sem certificação válida.

O NTSB sublinhou que a simples identificação de substâncias nos exames toxicológicos não significa, por si só, que os pilotos estivessem incapacitados no momento dos acidentes. De acordo com o organismo, o propósito do estudo é registar tendências e oferecer contexto para ajudar a compreender factores que podem influenciar a segurança operacional na aviação. O relatório completo foi disponibilizado pelo NTSB no seu site oficial neste link.

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