Uma missão científica argentina deverá deslocar-se na próxima semana a Ushuaia, cidade de onde partiu o navio Hondius, com o objetivo de apurar se existem roedores portadores de hantavírus. A expedição espera ter resultados dentro de cerca de um mês, informou hoje uma autoridade sanitária local.
Recolha de amostras de roedores e calendário de resultados
"A ideia é recolher amostras (de roedores) na próxima semana", afirmou em declarações aos jornalistas em Ushuaia Juan Petrina, diretor de epidemiologia da província da Terra do Fogo, sem adiantar quantos animais deverão ser capturados.
Depois de concluídas as análises laboratoriais, "esperamos que os resultados estejam prontos dentro de quatro semanas", acrescentou, frisando, ainda assim, que mantém prudência relativamente a esse prazo.
Surto no cruzeiro e situação epidemiológica na Terra do Fogo
Ushuaia, destino turístico no sul da Argentina, foi o ponto de partida, no primeiro dia de abril, do navio de cruzeiro no qual foi declarado um surto de hantavírus. Há duas semanas, a cidade rejeita ser a origem da infeção do primeiro passageiro. De acordo com as autoridades locais, o hantavírus não é registado na província desde que a sua notificação passou a ser obrigatória, há 30 anos.
As autoridades dizem também não existir na província o rato-de-cauda-longa (oligoryzomys longicaudatus), vetor da estirpe "Andes" do hantavírus, a única transmissível entre humanos.
"A situação epidemiológica na área não mudou muito", salientou Juan Petrina, acrescentando: “Não tivemos nenhum novo caso de hantavírus. E já passaram 45 dias desde que o navio partiu.”
Definição dos locais e participação do Instituto Malbran
Juan Petrina indicou que os pontos exatos de captura dos roedores "ainda não foram determinados", mas estão a ser debatidos entre a província e os cientistas do Instituto Malbran, em Buenos Aires - o principal centro de referência na Argentina para doenças infeciosas e epidemiologia - que irão conduzir a missão.
Hipótese do aterro sanitário e captura nas zonas envolventes
O responsável foi ainda questionado sobre a possibilidade de serem recolhidas amostras num aterro sanitário, num cenário associado a relatos - ainda sem confirmação oficial - segundo os quais o caso zero holandês, um observador de aves entusiasta, poderá ter-se deslocado ao local durante a sua permanência de 48 horas em Ushuaia para observar animais necrófagos.
Nesse enquadramento, admite-se que possa ter ocorrido contaminação, devido à eventual presença de ratos-de-cauda-longa.
"Não no próprio aterro, porque isso não faz sentido, os roedores ali são roedores urbanos, não suscetíveis ao hantavírus", afirmou Juan Petrina.
A recolha poderá acontecer mais depressa "nas áreas circundantes, mas ainda não temos as localizações exatas", acrescentou.
Apelo à tranquilidade para o setor do turismo em Ushuaia
Na quinta-feira, Judit di Giglio, responsável pela área da saúde na província, e as autoridades do turismo voltaram a transmitir uma "mensagem de calma" sobre o quadro epidemiológico na província, dirigida ao setor turístico.
"Vivemos num ambiente seguro, e não só é seguro viajar para aqui, como também é seguro viver aqui", disse Patricio Cornejo, presidente da Câmara de Turismo.
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