Bluepharma e a cadeia de valor do medicamento
Há uma vasta oferta de medicamentos e terapêuticas que ainda pode ser melhorada, quer na forma como chega aos doentes, quer na redução de efeitos indesejáveis. Partindo dessa ideia, a Bluepharma tem vindo a afirmar-se na indústria farmacêutica ao atuar em toda a cadeia de valor do medicamento - da investigação ao fabrico - e ao colocar no mercado medicamentos e produtos de saúde para várias áreas terapêuticas.
A empresa nasceu em Coimbra em 2001, na sequência da aquisição de uma unidade industrial ao grupo alemão Bayer. Sérgio Simões, um dos fundadores, passou em janeiro deste ano a presidente executivo da Bluepharma Indústria Farmacêutica, sucedendo a Paulo Barradas Rebelo, também fundador, que transitou para presidente do conselho de administração.
Inovação na Bluepharma: formas de administração e “três em um”
Na sua participação na Liga dos Inovadores, o podcast do Expresso dedicado às inovações lançadas em Portugal, Sérgio Simões descreveu algumas das frentes em que a Bluepharma tem concentrado esforços. Uma delas passa por facilitar a toma, com o objetivo de “desenvolver medicamentos que um cuidador possa colocar na boca dos doentes sem os obrigar a engolir”, uma solução útil, por exemplo, para crianças e idosos, mas também para doentes oncológicos cujos tratamentos dificultam a ingestão de comprimidos.
Outra linha de trabalho é combinar fármacos num único medicamento, através de “inserir no mesmo comprimido, por exemplo, três substâncias ativas diferentes”. Em paralelo, existe ainda a procura de novas utilizações clínicas para medicamentos já existentes, algo que, de forma simplificada, é descrito como “uma espécie de reciclagem de moléculas”.
Cancro, quimioterapia e veículos mais seletivos
Ao mesmo tempo, o sector farmacêutico tem procurado tornar as terapêuticas contra o cancro - em particular as quimioterapias - menos agressivas, através do esforço de “encontrar os veículos mais adequados para as moléculas produzirem os efeitos terapêuticos”, visando eliminar as ‘células más’ sem comprometer as células saudáveis.
Terapia génica e investimento em Coimbra
Outra aposta referida é a terapia génica, “em que já não entregamos fármacos aos doentes para tratar algum problema, entregamos verdadeiramente material genético. É o doente a fábrica do seu próprio medicamento, aquilo que ele precisa. Isto já se faz, há mais de 30 produtos aprovados no mundo todo baseados nestas tecnologias. E nós também estamos neste campeonato”, explicou Sérgio Simões, acrescentando que o grupo investiu recentemente numa nova fábrica em Coimbra para reforçar esta área.
A Bluepharma tem cerca de 700 trabalhadores e exporta 89% da sua produção para mais de 40 países.
Outros tópicos que pode ouvir ao longo da conversa
Existe em Portugal ciência do melhor que se faz no mundo, nas áreas das terapias génicas, das terapias avançadas. Nós temos clusters de conhecimentos em Portugal e Coimbra é um exemplo desses polos, onde a ciência já chega a todo lado
Nós conseguimos juntar no mesmo comprimido o medicamento que vai tratar do colesterol e o que vai tratar da parte da hipertensão e ainda conseguimos juntar um diurético que também ajuda a balançar isto tudo. Portanto, fazemos três em um
Há tratamentos que são como ‘lançar uma granada’ contra os doentes
O sector está a subir na cadeia de valor e a contribuir para a criação de emprego qualificado, direta e indiretamente
A “Liga dos Inovadores” é o podcast que revela o que de mais inovador e diferenciador se está a fazer em Portugal. Nele, Elisabete Miranda e Pedro Lima conversam com gestores, diretores e profissionais que partilham histórias que conquistaram o mercado e que têm contribuído para a transformação económica do país e para a sua imagem. Falam das vitórias que os trouxeram até aqui, mas também das ansiedades, dos concorrentes que invejam, dos gestores que admiram, das equipas que têm e dos perfis que precisam de contratar. Todas as semanas, às quartas-feiras.
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