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Mike Fincke diz que a NASA ainda não sabe porque adoeceu na Estação Espacial Internacional

Astronauta da NASA em fato azul observa o espaço e uma cápsula espacial pela janela da estação.

CAPE CANAVERAL, Flórida (AP) - O astronauta que motivou, no início deste ano, a primeira evacuação médica da NASA afirmou que os médicos continuam sem conseguir explicar por que razão ficou subitamente doente a bordo da Estação Espacial Internacional.

Mike Fincke, que já voou quatro vezes ao espaço, contou que o episódio ocorreu a 7 de janeiro, durante o jantar, depois de ter passado o dia a preparar-se para uma caminhada espacial marcada para o dia seguinte.

Episódio súbito de Mike Fincke na Estação Espacial Internacional

Segundo Fincke, de 59 anos, antigo coronel da Força Aérea norte-americana, deixou de conseguir falar. Não se recorda de ter sentido dores, mas a agitação entre os colegas foi imediata: ao vê-lo em evidente aflição, a tripulação pediu assistência aos médicos de voo em Terra.

"Foi completamente inesperado. Aconteceu de forma incrivelmente rápida", disse numa entrevista à AP, a partir do Centro Espacial Johnson, em Houston.

Fincke explicou que a situação durou cerca de 20 minutos e que, no final, se sentiu bem - e afirma que continua assim.

Acrescentou que nunca tinha passado por nada semelhante, nem antes nem depois.

Embora os médicos já tenham afastado a hipótese de um ataque cardíaco, Fincke sublinhou que não se estava a engasgar. Ainda assim, disse que todas as restantes possibilidades continuam em aberto e podem estar ligadas aos seus 549 dias em ausência de peso.

Quando o problema surgiu, estava a 5 ½ meses da mais recente estadia na estação espacial e descreveu o início como "um relâmpago muito, muito rápido".

"Os meus colegas de tripulação viram claramente que eu estava em sofrimento", afirmou, referindo que os seis se juntaram à sua volta.

"Em poucos segundos, toda a gente estava a ajudar."

Avaliação médica, privacidade e investigação da NASA

Fincke disse que não pode partilhar mais pormenores sobre o episódio. Segundo explicou, a agência espacial pretende garantir que outros astronautas não sintam que a sua privacidade médica ficará comprometida caso lhes aconteça algo.

O astronauta indicou que o ecógrafo da estação espacial foi útil no momento do incidente e que, desde o regresso à Terra, já foi submetido a inúmeros exames.

De acordo com Fincke, a NASA está a analisar os registos médicos de outros astronautas para perceber se poderá ter havido episódios relacionados durante missões no espaço.

No final do mês passado, Fincke identificou-se publicamente como a pessoa que tinha adoecido, com o objetivo de pôr termo à especulação que circulava.

Regresso antecipado com a SpaceX e impacto na missão

Fincke admitiu que ainda se sente mal por a sua indisposição ter levado ao cancelamento da caminhada espacial - teria sido a sua 10.ª, mas seria a primeira da colega Zena Cardman - e por ter resultado no regresso antecipado dela e dos outros dois companheiros de missão.

A SpaceX trouxe-os de volta a 15 de janeiro, mais de um mês antes do previsto, e seguiram diretamente para o hospital.

"Tenho tido muita sorte por ser extremamente saudável. Por isso, isto foi uma grande surpresa para toda a gente", disse.

Fincke contou que deixou de pedir desculpa a todos depois de o novo administrador da NASA, Jared Isaacman, lhe ter dito para parar.

"Isto não foste tu. Foi o espaço, certo?", garantiram-lhe os colegas. "Não desiludiste ninguém."

Sempre otimista, Fincke disse manter a esperança de, um dia, poder regressar ao espaço.

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